Bora Sair?

Literatura – Fevereiro de 2015

Nenhum Olhar é um poema fracassado que não se conseguiu erguer nas linhas métricas da poesia, acabando por se encarreirar para os modelos narrativos da prosa…
A carreira literária de José Luís Peixoto tem-se vindo a separar deste registo, para iniciar um cuidado mais escrupuloso em relação aos métodos da diegese, quase considerados como a única força despertadora de prazer, pois a escrita, a meu ver, tem saído lesada, no sentido em que já não se reconhece uma coesão semântica e lexical tão consistente e firme.
É possível que o autor ande em busca de um estilo mais rigoroso e maduro.
Em determinados excertos de Nenhum Olhar, as palavras parecem uma pasta informe de ideias e conceções eloquentes, onde o narrador expressa as suas dúvidas e hesitações,.
Porém, embora os estilos difiram, as obras de José Luís Peixoto entroncam-se nas temáticas sombrias e nas abordagens luminosas acerca da vida, da solidão e da morte, tendo geralmente como pano de fundo a ruralidade portuguesa.
Nenhum Olhar figura entre os melhores livros que já li, até hoje, de José Luís Peixoto, apesar da intenção de sublimar pensamentos, que se tem como válida e justificada, na ficção portuguesa contemporânea.

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Miguel Jerónimo

Miguel Jerónimo

Editor-chefe na secção Bora Sair? (2014/2015)

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