Crónica

Carta ao Ego

Sim, eu sei que já se passou algum tempo desde a última vez que te escrevi.
Não senti que fosse necessário nem queria tornar o meu contacto contigo demasiado rotineiro.
Falar informalmente como dois amigos passageiros que se encontraram nas partidas do destino, para mim bastava.
Sei que tens andado ocupado, com essa tua crescente popularidade.
Não, não fico incomodada. Aliás, até compreendo a tua requisição por parte dos outros.
Tantos a pensarem no “eu” e poucos a pensarem no “nós”.
Tantos a pensarem no que está errado e poucos a tentarem arranjar o certo.
Parabéns! Cada vez te encontro mais em páginas do jornal, revistas, televisão e mesmo nos rostos das pessoas.
Ego, não te culpo por quereres subir na carreira, mas há uma coisa que me tem custado a ver…
O crescente protagonismo do egoísmo…
Sei que são irmãos e que depois de leres esta carta irás defendê-lo, mas se ouvisses as minhas razões…
Um pouco de ego nunca fez mal a ninguém…
Mas alguém se contenta com pouco?
Raramente…
Excesso de ego leva à distorção da aptidão natural de pensar para além do eu, com a consequente focagem nesta personagem como figura central.
Esquecendo-se dos outros, dos pensamentos dos outros, dos sentimentos dos outros e vivendo na sua própria existência.
Primando pelo nosso sucesso individualista, sendo que, muitas vezes, acabamos por apoiar e ajudar desconhecidos ao invés de nos preocuparmos com aqueles que nos são mais próximos.
Não deixes que este grau de decadência se generalize.
Evitemos entrar no esquecimento de que precisamos dos outros e os outros precisam de nós.
Que a convivência seja um prazer e não um mero dever social.
Um abraço

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Francisca Marques

Francisca Marques

Diretora & Editora-chefe da secção Crónica

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