“Ela é linda sem makeup”. Para os fãs e os não fãs do cantor português Agir esta é a mensagem que pretende passar.

Num mundo cada vez mais artificial, no sentido em que é dada mais importância ao estético do que ao conteúdo, mais do que estaria dentro dos limites naturais do comum ser humano. Num mundo em que moldamos a nossa imagem de acordo com os padrões estipulados como aceitáveis ou de interesse relevante na sociedade. Imagem esta, que se aplica ao mesmo tempo ao nosso interior.
Quantos de nós já não mudámos algo na nossa personalidade, ou maneira de ser de forma a sermos mais agradáveis aos outros? Uma característica que nos fazia demasiado intimidantes ou um pouco cromos, riso tonto, piadas secas, etc.
Aliás, formulo a questão de outra forma, quem nunca o fez?
A verdade é que esta é uma moda à qual aderimos quase desde que nascemos, movida por uma vontade e necessidade interior de agradar ao próximo.
E o problema maior acaba por não residir somente aí.
Em primeiro lugar, essa tendência é natural, faz parte de nós, querermos ser aceites porque de certa forma essa aceitação representa respeito, e todo um sentimento de pertença.
O que muitas vezes acontece, e que é o mal necessário de ser alvo de crítica é o facto de essa tendência virar dependência.
Dependentes do sorriso aprovador.
Dependentes da aceitação de alguém que não nos diz nada, esse alguém que sou eu, és tu, é ele, somos nós que pertencemos todos a esta sociedade.
Dependentes.
Perdemos as características que nos distinguem e que por isso mesmo nos fazem únicos.
Deixamos então de ser A…ou 0 e somos uma ou um.
Mas onde está a essência, onde está a unicidade e todo o sentido e orgulho de saber que marcámos, de certa forma a diferença?
“E ela não precisa de se pintar para provar que ela não precisa, pra quê inventar se ela é Ela é linda sem Make Up”
Então porque não tentarmos sermos lindos sem “makeup”?
Porque não sermos nós mesmos?

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Francisca Marques

Francisca Marques

Diretora & Editora-chefe da secção Crónica

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