O dia 13 de novembro de 2015, e o dia 22 de março de 2016 abraçam-se. Unidos pelas calamidades provocadas pelos atentados do estado islâmico.

Mais uma vez a Europa foi assolada por ataques terroristas, mais uma vez, entrámos em regime de pânico e em estado de alerta.

Se calhar nunca deixámos de estar, mas a vantagem de vivermos nesta época é nossa grande capacidade de olharmos e vivermos as coisas de forma efémera.

Os atentados em Paris, sem dúvida nenhuma, provocaram um impacto. Assustaram, a população francesa e decerto as pessoas em geral. Falou-se e refalou-se do que se sucedeu naquela sexta-feira 13 em Paris. Mas após, sensivelmente um mês, a gravidade dos acontecimentos foi-se esbatendo como as aguarelas numa tela, os média fizeram um bom trabalho em relação a isso. Deixam-se de falar dos acontecimentos, dando a sensação de que já está tudo mais calmo. As pessoas respiram fundo, e riem-se novamente quando passam o seu feed do Facebook, que não pára de bombardear com o desafio para “encontrar o panda”. E o mundo volta à rotina normal. De vez em quando vemos uma homenagem ou outra de um cantor qualquer e mergulhamos, de novo, nas nossas rotinas.

Até que…

Até que ouvimos um trovão e nos lembramos que lá fora ainda está uma trovoada “do caraças”.

Na TVI24 escreveu-se o seguinte: «Um rasto de sangue na capital belga que trouxe à memória os ataques de novembro em Paris e que voltaram a deixar a Europa em estado de alerta perante a ameaça terrorista. O Estado Islâmico reclamou os ataques (…) prometendo mais “dias negros”». O que nos leva de encontro à analogia anterior.

Bruxelas ficou estagnada num mar de agitação e assistem-se a operações policiais feitas casa a casa. Paris decidiu aumentar a segurança nos aeroportos, estações e gares francesas. Em Inglaterra, o primeiro-ministro David Cameron convocou um gabinete de crise e as medidas de segurança do país foram reforçadas. E mais uma vez as medidas de segurança nos aeroportos são reforçadas.

E nós, cidadãos comuns, desde os mais bem posicionados na sociedade, como governadores, políticos, etc.; aos mais marginalizados, assemelhamo-nos por vezes aos “bobble head dolls”. Estes são bonecos que têm geralmente a cabeça maior do que o corpo e que não está totalmente fixa a este mesmo, abanando facilmente.

Tal como eles, também não temos a cabeça completamente colada ao nosso corpo. A nossa mente é muitas vezes assombrada por uma série de pensamentos. O nosso raciocínio é confrontado com o dilema de seguir o dever ou satisfazer o prazer e o nosso corpo apenas obedece às ordens mecânicas enviadas pelo nosso cérebro sem ter vontade própria.

E distraímo-nos com uma série de coisas banais e sem interesse. Mas, havendo um acontecimento que possa pôr em causa o nosso comodismo, trememos. E procuramos rapidamente uma solução. Burocrática ou não. Foi isso que se sucedeu com o caso dos atentados a Paris e é isso que se fará com o caso dos atentados em Bruxelas.

Portanto, a questão aqui é a atitude que estamos permanentemente a tomar. A brevidade com a qual encaramos as coisas. São acontecimentos graves, aos quais somos “ insensíveis”, isto porque não os vivemos de perto, e por isso não estamos perfeitamente conscientes do seu verdadeiro impacto.

A Europa está num “estado de alerta” não! Este “está” não deve ser, somente, num presente imediato, acabando por suavizar-se. Deve ser tido em conta no futuro.

Estado de alerta não significa necessariamente pânico, mas atenção, cuidado, sensibilização…

De certa forma, acabamos por nos sentir mais preparados para o que possa acontecer, não nos deixando assustar tão facilmente com ataques surpresa desagradáveis.

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Francisca Marques

Francisca Marques

Diretora & Editora-chefe da secção Crónica

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