Até uma altura relativamente recente, os cientistas pensavam que os únicos fatores que determinavam a passagem de caraterísticas biológicas de geração em geração eram os genes, mas sabe-se hoje que isso não é bem assim.

É aqui que entra a epigenética, definida como um conjunto de caraterísticas no genoma de um organismo, que se mantêm estáveis durante as divisões celulares, como a mitose, mas que não envolvem alterações na sequência do ADN desse mesmo organismo. Assim, o que o epigenoma faz é “decidir” se ou até que ponto certos genes são expressos em diferentes células do corpo. As mudanças epigenéticas têm um grande impacto na diferenciação celular, processo durante o qual células com o mesmo material genético adquirem diferentes caraterísticas e funções.

A epigenética estuda o que acontece aos genes ao longo da vida de um organismo e se essas mudanças epigenéticas podem, ou não, ser transmitidas à descendência.

A epigenética de um organismo é determinada por pequenas mudanças químicas no ADN, que envolvem grupos metilo, que se ligam aos genes de maneiras diferentes consoante a função que a célula irá ter, silenciando-o ou não. Este processo tem o nome de metilação. A epigenética também depende das histonas, que são as proteínas à volta das quais o ADN se enrola, e que podem controlar o quanto o ADN se aperta. Quanto menos apertado, mais o gene se expressa. Quanto mais apertado, menos se expressa o gene.

Nos humanos, por exemplo, há alturas específicas em que o epigenoma pode apresentar variações mais evidentes, como a puberdade ou uma gravidez. Mas existem também outros fatores, como o ambiente à nossa volta.

Estudos mostram que experiências vividas pelos pais, ou até mesmo pelos avós, como dietas ou maus tratos, por exemplo, podem ser influência nas gerações futuras.

Há estudos que evidenciam que determinados hábitos alimentares de grávidas podem ter um grande impacto no metabolismo dos filhos, visto que causam a libertação de hormonas que provocam o aparecimento de marcadores epigenéticos nos genes dos filhos, regulando a sua expressão depois do nascimento. Outros estudos demonstram que em casos de famílias com escassez de alimentos, gerações posteriores têm maior risco de diabetes e de doenças cardiovasculares.

Outro caso é o de gémeos idênticos que, durante a transição da infância para a vida adulta, podem diferir bastante nos modos de vida, em que um pode ter mais problemas no trabalho, por exemplo, e por isso vive mais stressado e com mais ansiedade, e o outro pode ter maus hábitos alimentares e ter excesso de peso. Assim, enquanto adultos, os gémeos poderiam parecer bastante diferentes, mas também se tornaram, de fato, diferentes, apesar de partilhar o mesmo ADN, devido às mudanças epigenéticas.

Então, com esta ideia na cabeça, talvez deverias ponderar melhor da próxima vez que tiveres a tentação de cair num mau hábito, seja ele fumar ou comer em demasia, entre outros, pois não estarás apenas a prejudicar-te a ti próprio, mas também poderás estar a fazer o mesmo aos teus possíveis futuros filhos, porque, apesar de a maioria da informação epigenética de um pai não aparecer no embrião do filho, sendo substituída por outra nova, há parte dessa informação que passa para ele ou até mesmo para gerações mais futuras.

Post anterior

O LOL na Start Work II

Próximo post

Ed Sheeran lança novo álbum ÷ ("Divide")

Mariana Monteiro

Mariana Monteiro

Nenhum comentário

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *