Crónica

Saímos no Cais do Sodré

Saímos no Cais do Sodré, porque apanhar o autocarro talvez não tenha soado de forma suficientemente tentadora para constar nos nossos planos. Mas percorrer, desse ponto o caminho até ao Palácio de Belém a pé não foi motivo de qualquer queixume.

Detetor de metais, museu da Presidência da República e jardins do palácio, em cujas sebes bem podadas, de facto, e que prendiam a atenção do espetador, escondia-se a figura querida e amada pelo povo, do Presidente da República, a pretexto das comemorações do 25 de Abril.

Os presentes espantam-se, entusiasmam-se ligeiramente e envergonham-se. Mas não arredam pé antes de conseguirem uma tão desejada fotografia.

Segue-se a Assembleia da República, aberta ao público durante a tarde. Fila enorme. Um momento, a fila não é para a Assembleia mas para a inauguração dos Jardins de São Bento e visita à residência oficial do Primeiro-ministro.

Do outro lado. Quem sabe se a fila não será mais diminuta.

“A fila alcança a rua de São Bento!”.

Isso traduzir-se-ia num tempo aproximado de espera, atendendo à evolução da redução da fila, de duas horas.

Mas já eram três da tarde, hora de início da manifestação no Marquês de Pombal. Agregados de pessoas dos diferentes partidos, apoiantes a causas conhecidas, a causas menos conhecidas, perfeitamente audíveis, ou não; iniciavam a sua marcha em direção ao Rossio, fazendo-se acompanhar dos “seguradores de cravos”.

Na agenda ainda constava a visita ao Quartel do Carmo e a uma inauguração, propositadamente marcada naquele dia.

O cansaço, no entanto, teimava em impor-se e a agenda termina com um sentimento de deslumbre.

Deslumbre porque é 25 de abril. Um dia como os outros que, no entanto, é descendente de um acontecimento histórico fundamental. Por isso, é mimado pelas circunstâncias e pessoas que não deixam o tempo esvanecer a memória que construiu um futuro presente.

Deslumbre porque a paisagem é bela.

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Francisca Marques

Francisca Marques

Diretora & Editora-chefe da secção Crónica

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