Deves conhecer, se não és tu próprio, pessoas que são muito cuidadosas com aquilo que fazem, que gostam de ter tudo muito limpo, que verificam a mesma coisa vezes sem conta e que são um pouco obcecadas quanto à maneira como dispõem as suas coisas. Mas, claro, pensa-se que são apenas manias que as pessoas têm. Contudo, para certos indivíduos, estas manias podem ter uma origem um pouco mais grave, resultantes de uma doença, a POC.

A perturbação obsessiva-compulsiva, ou POC, é uma condição psiquiátrica, caraterizada, tal como o nome indica, por dois fatores: as obsessões e as compulsões.

As obsessões podem ser pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes, que resistem a ser expulsos da consciência e que provocam ansiedade e mal-estar ao indivíduo.

As obsessões mais comuns são o medo da contaminação, o medo de prejudicar os outros, o medo de cometer um erro grave, o medo de contrair uma doença e a necessidade de ter os objetos exatamente “como devem estar”.

Com o objetivo de reduzir a ansiedade que as obsessões lhes causam, as pessoas que sofrem desta condição tentam ignorar ou suprimir estes pensamentos com outros. Mas a verdade é que, na maior parte das vezes, isso não chega, e estes indivíduos sentem-se compelidos a realizar as compulsões.

As compulsões, ou rituais compulsivos, são, então, uma forma de controlo de ansiedade, e consistem em comportamentos repetitivos, geralmente executados em resposta a obsessões. As compulsões mais frequentes são limpar, repetir, verificar e ordenar ou organizar.

Por exemplo, imagine-se que alguém sai de casa para o trabalho. A maior parte das pessoas, nesta situação, fechava a porta de casa à chave e, ao irem para o emprego, sabiam que o tinham realmente feito, sem se preocuparem com isso. Se este cenário for aplicado a um indivíduo que sofre de perturbação obsessiva-compulsiva, no caminho para o trabalho esta pessoa iria começar a questionar-se a si própria se teria ou não fechado a porta devidamente, e este pensamento seria de tal maneira “forte” e “insistente”, que a pessoa se sentiria compelida a voltar para trás, mesmo que estivesse quase a chegar ao seu destino, e mesmo que isso implicasse que iria chegar atrasada ao trabalho, apenas para se certificar de que tinha fechado a porta corretamente. E, ao retornar a casa e tendo confirmado de que estava realmente bem fechada, provavelmente iria verificar o mesmo mais umas quantas vezes, apesar de ter a certeza.

Assim, pessoas que sofrem desta doença não têm controlo sobre os seus pensamentos e comportamentos compulsivos, causando stress, ansiedade e até mesmo pânico. E é isto que diferencia os que têm POC daqueles que são apenas um pouco mais meticulosos.

Claro que muitas pessoas podem ter tendências obsessivas-compulsivas, como lavar as mãos bastante regularmente e verificar certas coisas demasiadas vezes. Mas isto não quer dizer que a pessoa sofra de POC. Apenas se considera que uma pessoa sofre desta condição quando as suas obsessões ou compulsões interferem significativamente com as suas rotinas normais, como se observou no exemplo dado, e quando as mesmas ocupam uma considerável parte do dia (pelo menos uma hora por dia). A perturbação obsessiva-compulsiva pode ser, então, limitadora da qualidade de vida.

Um dos piores aspetos deste distúrbio é que as pessoas que sofrem da doença reconhecem que o conteúdo dos seus pensamentos obsessivos é absurdo e que as suas ações compulsivas são ilógicas. Mas, mesmo assim, não conseguem impedir-se de pensar e fazer essas coisas. A POC provoca, assim, grande desgaste físico, emocional e intelectual. Em casos mais extremos, as pessoas deixam mesmo de ir trabalhar, por o horário de trabalho não deixar, depois, tempo suficiente para investir nas suas compulsões.

Esta é uma doença progressiva, ou seja, sem o tratamento adequado, vai piorando. O tratamento mais comum é uma combinação de medicação e terapia cognitivo-comportamental, que é um tipo de psicoterapia que visa enfrentar as obsessões e impedir a realização dos atos compulsivos.

Atualmente, não se sabe o que causa a doença. Mas sabe-se que a POC está associada a baixos níveis de serotonina, um neurotransmissor que comunica entre estruturas cerebrais e que ajuda a regular processos vitais, tais como a dor, o sono, o apetite, a temperatura corporal, entre outros. Porém, não se sabe se são os baixos níveis de serotonina que causam esta perturbação ou se este é um sintoma do distúrbio.

Assim, esta é uma doença que deve ser tratada logo aquando do seu diagnóstico, visto que pode trazer um mal-estar e ansiedade à vida das pessoas. Existe tratamento para este problema, e por isso ninguém deveria de ter de sofrer com ele.

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Mariana Monteiro

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