Disce

A Rapariga dos Olhos Negros

Eu nunca fui, nem nunca serei a vossa típica adolescente, os vossos problemas e os vossos medos não são os meus e o meu trabalho e aquilo que faço é algo que faria pessoas tremerem, mas eu nem sempre fui assim, eu tal como vocês nasci inocente, mas a vida nem sempre é um mar calmo e às vezes bastam uns minutos para que a tua vida dê uma volta completa e para que o teu futuro se altere.

O meu nome é um mistério para a maioria, nos meus 17 anos de vida apenas uma mão cheia de pessoas conheceu o meu nome, três estão mortas, mas claro que aqueles que não o conheciam tinham que dar algum nome à figura sombria que se movia à noite por entre as sombras dos edifícios de Praga. Talvez o tenham feito para me tornarem real, ou talvez seja porque ao darmos nome a algo lhe tiramos importância, de alguma forma, mas a verdade é que não me importa a razão, porque isso, não faz parte do meu trabalho.

Nunca sabem onde vou aparecer a seguir a menos que eu queira que saibam, e quando me vou embora nunca conseguem encontrar nada que lhes diga quem eu possa ser ou muito menos como e onde me encontrar, apenas sabem que Stínu esteve ali.

O meu trabalho não é algo de que me orgulhe, não ando pelas ruas a falar dele nem falo dele aos meus amigos porque, primeiro se o fizesse tenho a certeza de que iria presa ou pior, e segundo não tenho amigos. Não é que eu não consiga ter amigos, eu não os quero, são um desperdício de tempo, tornam-te mais fraca, se não tiveres nada nem ninguém com que te preocupares então não tens fraquezas, tão simples quanto isso.

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Filipa Antunes

Filipa Antunes

Editora da Secção Disce

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